qui, 18 de janeiro de 2018, 1:18 pm
Quem NUNCA…?

Quem NUNCA…?

A vida é feita de muitas esperas nunca agradáveis. Sejam elas quais forem, nada acontece sem as benditas/malditas esperas. Difícil fica manter a calma em todas as situações, em especial naquelas esperas ditas burras. Senão, vejamos: você protocola um documento na data exata, no prazo exato, e deve aguardar cinco dias úteis para saber se o referido documento foi aceito. Porque esta aferição não é realizada na entrega? Não há pessoal especializado para receber e verificar, ao mesmo tempo? Ou será mesmo necessário um novo momento para saber da aceitação ou não dele? Haja paciência.


Espero um envelope postado de Rio Claro, por Sedex, na quarta-feira. A informação é de que seriam até 48 horas de espera. Ao ver o dia terminar e as 48 horas se expirado, ligo na agência e forneço o número do protocolo. Sou informado que o documento está com o entregador que ainda pode passar por minha casa, hoje.

Indagando se ele pode passar após 18 horas, sou informado de que isso depende dele, o entregador. E indagando, novamente se devo esperar em casa, porque a vida ficou congelada nessas 50 horas, gentilmente a atendente me diz que essa opção é minha, eu preciso decidir.

A vida passando, as horas voando e eu plantado num vaso esperando o entregador que pode passar a qualquer momento. Só não sei de onde tirar mais paciência diante de tamanha imprecisão; se não estivesse desgostoso, até perguntaria: quem nunca…?


E o telefone toca, da Editora Três, falando de uma promoção, de uma centena de brindes, de um conjunto de oportunidades e de muito mimimi, que não se dá a devida atenção. Na verdade estava em época de renovação da assinatura de minha revista semanal e optei por focar nela, questionando sobre as parcelas, a forma de pagamento e algo mais.

Sou informado que se fizer o pagamento no cartão de crédito de uma determinada bandeira receberei um brinde que me será enviado em até 45 dias. Perguntei qual seria esse brinde e soube se tratar de uma mala de viagens, preta ou prata, tamanho médio, que pela proximidade com Campinas seria entregue em menos de 30 dias.

Atendendo à necessidade da renovação, da proximidade com Campinas e da bandeira do cartão, faço a assinatura e recebo um numero de protocolo, posteriormente recebo cópia do contrato por e-mail, etc e tal. Passam-se os 30 dias. Os outros 15 adicionais que garantiriam os 45 dias e nada.

Ligo na Editora Três, escritório regional de onde partiu a ligação. Tudo em ordem com meu contrato, conferiram tudo, checaram todos os dados, validaram todos os números, mas as malas…bem as malas ainda estão sendo entregues e talvez eu não houvesse entendido direito, porque são de trinta a quarenta e cinco dias úteis.

Eu até me desculpei, talvez não houvesse realmente entendido direito. Afinal são tantos detalhes. Esta semana, de segunda-feira até agora, sexta, recebi duas a três ligações para saber se a revista está sendo entregue corretamente, se eu tenho interesse em assinar nova revista e, de repente eu pergunto: e a minha mala? O interlocutor se cala, diz que vai ver meu contrato.

Volta e diz: estou vendo que sua mala está atrasada, senhor; mas ela está em nosso agendamento e será disponibilizada em breve. Pergunto se este em breve tem algum limite e constato que todos são muito bem treinados: dentro de 30 a 45 dias o senhor será contatado para receber informação sobre a entrega.Só não sei de onde tirar mais paciência diante de tamanha imprecisão; se não estivesse desgostoso, até perguntaria: quem nunca…?


E agora vamos a uma agência bancária, destas de atendimento privativo, onde as taxas são mais altas contra o cliente desatento, tudo em nome de um atendimento vip e de uma agilidade na negociação. Que na verdade acontece da mesma maneira que nas agencias comuns, na boca do caixa ou nas quatro ou cinco mesas dispostas no saguão, ocupadas pelos “gerentes”.

Quero enfatizar esta parte: quatro ou cinco mesas dispostas no saguão, ocupadas pelos “gerentes”, porque os bancos agora só têm gerentes. Só não é gerente o truculento do segurança que fica na porta, ainda se não for gerente do outro segurança, que está por ali, também.

Bem, você recebe uma ligação de sua “gerente” de conta, que tem algo a lhe entregar pessoalmente, na agência e se dirige a ela. Mas infelizmente você só pode ir a agência as 10h30 e ao chegar é informado de que ela acabou de sair para o almoço. Sim, ela foi almoçar naquele horário porque é uma escala e etc e tal, mas que em breve voltará. Quando? 13h30!!! Sim, sua gerente bancária tem quatro longas horas de almoço.

Como você tem mais o que fazer na sua vida, sai e volta as 14 hora e ela, ou está numa visita externa, mas vai aguardá-lo amanhã, ou está num atendimento que deve se estender um pouquinho e, desavisado, você aguarda até 15 horas, pacientemente. Ao ser atendido, com o humor em Saturno, ela gentilmente lhe diz: sabe o que eu queria do senhor? Vamos fazer um seguro do seu apartamento?

Com sua cara de otário, você se pega perguntando: xingo, grito, bato ou sumo. Só não sei de onde tirar mais paciência diante de tamanha imprecisão; se não estivesse desgostoso, até perguntaria: quem nunca…


E quando você vai ao hospital de seu plano de saúde fazer uma consulta, fora de hora, em caráter de emergência. Após o ritual de aferição dos documentos e da triagem médica você é encaminhado para um corredor e deve aguardar diante de uma determinada sala ou seguindo um placar que chama pela senha.

Impecavelmente adequado e lógico, diante de tanto movimento e tantos casos diferentes, lá está você e uma dezena de outros pacientes (entendem porque se chama paciente? Percebem o significado da palavra? Pa-ci-en-te…)…então, lá está você, aguardando sua vez naquele mar de gente. Ouve-se de tudo um pouco, discute-se de novela da Globo à politica nacional; enfim, você está pacientemente aguardando seu chamado.

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Em sua frente, nas salas de atendimentos médicos estão três ou quatro deles, conversando. Rindo muito, falando alto. Alguns (im)pacientes levantam-se de seus lugares e vão até a porta de onde sai tamanha farra e olham, como se dissessem: estamos esperando vocês. Mas estes que foram à porta são apenas (im)pacientes e não merecem maior atenção.

De repente, termina o “recreio” e eles se dirigem às suas salas curadoras onde sentam e, lógico, vão a uma consulta de seus celulares, respondem às mensagens recebidas e só então, pacientemente, passam a chamar seus infelizes pacientes. Só não sei de onde tirar mais paciência diante de tamanha inconsequência; se não estivesse desgostoso, até perguntaria: quem nunca…? (Foto acima: www.allwallpaper.in)

AFONSO ANTÔNIO MACHADO

É docente e coordenador do LEPESPE, Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte, da UNESP. Mestre e Doutor pela UNICAMP, livre docente em Psicologia do Esporte, pela UNESP, graduando em Psicologia, editor-chefe do Brazilian Journal of Sport Psychology.

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